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quinta, 17 de Setembro de 2026

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Opinião

“Você vota em quem acredita ou contra quem rejeita?” é o tema do novo artigo de João Santana

Polarização transforma o medo do outro lado em combustível eleitoral e empurra o primeiro turno para a lógica do voto contra

16/09/2026, às 18h09

A política brasileira transformou eleição em confronto. Direita de um lado, esquerda do outro. Entre elas, um espaço cada vez mais apertado para quem não quer vestir nenhuma das duas camisas.

O marketing político entendeu a força dessa divisão. Não é preciso provar que seu candidato é o melhor. Basta fazer o eleitor acreditar que o outro é pior.

Essa é a maior força da polarização: não fazer você acreditar no seu lado, mas fazer você ter medo do outro.

E o medo pressiona. Exige lado, camisa, arquibancada. A política assume a lógica da torcida e o adversário deixa de ser apenas uma opção diferente. Torna-se alguém que precisa ser impedido.

Mas o Brasil tem dois turnos. O primeiro abre espaço para escolhas; o segundo concentra a decisão nos dois mais votados. A polarização antecipou essa lógica. O eleitor chega ao primeiro turno pensando menos em quem gostaria de eleger e mais em quem precisa derrotar.

E há uma consequência: quanto mais o voto nasce da rejeição, menos espaço sobra para alternativas.

Democracia é escolha livre. E escolha livre não combina com medo. Quando o medo de quem pode vencer pesa mais que a confiança em quem se quer eleger, o voto deixa de expressar esperança e se aproxima da coação.

João Santana é historiador, publicitário, bacharel em Direito e editor do Jornal O+Positivo

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