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quarta, 24 de Junho de 2026

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Manchete

Editorial: Concurso marcado para o dia das eleições tem data alterada em Piranhas

Se a política foi parte do problema no concurso anterior, como a prova chegou a ser marcada justamente para aquela data?

23/06/2026, às 13h06

O concurso público para o magistério da Prefeitura de Piranhas teve a data das provas alterada pelo ITAME, banca responsável pela organização do certame. Inicialmente, o edital publicado pela instituição previa a realização das provas em 4 de outubro de 2026, dia das eleições gerais. Posteriormente, o cronograma foi alterado e as provas passaram para 11 de outubro, após a repercussão provocada pela divulgação da data e pelos debates gerados nas redes sociais.

A mudança corrige um erro evidente.

Mas não encerra a discussão.

O concurso anterior foi anulado após uma longa disputa política, administrativa e judicial. Entre os argumentos apresentados pela administração para justificar a medida estavam questionamentos relacionados à aprovação de pessoas ligadas ao grupo político que governava o município, além de críticas ao momento em que o certame foi realizado, já no final de uma gestão e em meio a um ambiente de intensa movimentação política. Foi esse conjunto de fatores que acabou levando à anulação do processo.

Ao final, prevaleceu o entendimento de que a administração poderia anular o certame, por ato discricionário.

O debate jurídico terminou.

A discussão sobre coerência, não.

Se o ambiente político foi um dos elementos centrais utilizados para questionar o processo anterior, como o novo concurso chegou a ser inicialmente marcado justamente para aquela data?

Concursos públicos não devem apenas obedecer à lei. Devem ser planejados de forma a afastar dúvidas, interpretações e desgastes desnecessários.

Primeiro, o cronograma colocou as provas em plena data de votação nacional. Depois, diante da repercussão pública, a banca transferiu a aplicação para a semana seguinte.

A correção foi necessária.

A pergunta é por que ela precisou ser feita.

Outro aspecto que merece atenção é o alcance do novo certame. Enquanto o concurso anterior previa vagas para diversas áreas da administração municipal, o atual contempla exclusivamente o magistério, com apenas 20 vagas imediatas — sendo 10 para jornada de 30 horas e 10 para jornada de 40 horas — além de 60 vagas destinadas ao cadastro de reserva.

Os números também merecem explicações. Se a necessidade de professores na rede municipal é superior a esse número, por que apenas 20 vagas para convocação imediata? E por que a maior parte das oportunidades foi concentrada no cadastro de reserva?

Em um município que convive com carência de profissionais em diferentes áreas, a opção parece mais voltada à formação de cadastro do que ao enfrentamento imediato de uma necessidade já conhecida da administração.

A população tem o direito de esperar respostas claras. Afinal, concursos públicos existem para suprir necessidades reais da administração, e não apenas para formar listas de espera.

A alteração da data corrige um problema.

Mas não responde às perguntas que ele revelou.

Exige demonstrar, na prática, que a mesma régua aplicada ao passado também vale para as decisões tomadas no presente.

Porque credibilidade não se constrói apenas com discursos.

Ela se constrói quando os critérios usados para julgar ontem são os mesmos utilizados para decidir hoje.

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