Carta aberta, por João Santana: Governador Daniel Vilela, o senhor sabe o que está acontecendo na GO-060?
20/08/2026, às 19h08
Desde que o senhor assumiu definitivamente o Governo de Goiás, em 31 de março, os radares, os populares pardais, estão se multiplicando pela GO-060. E não é só isso. Limites de velocidade também estão mudando.
Sei que um governador não acompanha cada placa colocada ou cada radar instalado nas rodovias de um Estado do tamanho de Goiás. Por isso esta carta é para o senhor.
Governador, o senhor sabe quantos novos pardais foram instalados nos últimos meses? Sabe que há pontos onde o limite caiu de 80 km/h para 60 km/h?
E a pergunta que interessa a quem pega a estrada: vai continuar assim?
Há cerca de oito anos, quando o grupo político do qual o senhor faz parte assumiu o Governo de Goiás, uma das bandeiras era combater a chamada “indústria da multa”. E, durante um período, a pressão sobre o motorista realmente diminuiu.
E agora, governador? A indústria da multa vai voltar a Goiás?
Tem mais.
O senhor sabe que políticos ligados ao senhor têm interferido para aumentar o número de radares na GO-060?
Deputados, por intermédio de vereadores e lideranças locais, têm atuado para conseguir novos equipamentos e divulgado publicamente essas conquistas.
Mas existe uma pergunta que precisa vir antes de qualquer comemoração: há estudo técnico comprovando a necessidade de cada um desses radares?
Deputado pode pedir. Vereador pode reivindicar. Mas quem deve dizer onde um radar é necessário é a engenharia de trânsito, e não a política.
Ninguém sensato é contra fiscalização. Se o radar é tecnicamente necessário para salvar vidas, que seja instalado.
O problema é quando segurança começa a parecer armadilha.
Em determinados trechos, o motorista encontra 60 km/h, depois 40 km/h, volta para 60 km/h e, pouco adiante, novamente 40 km/h.
Isso educa ou apenas multa?
E se a GO-060 apresenta tantos pontos de risco, governador, precisamos fazer outra pergunta: cadê as soluções estruturais?
Há trechos da rodovia que precisam de investimentos, inclusive duplicação. Porque segurança no trânsito não pode ser apenas radar atrás de radar.
Radar fiscaliza. Obra resolve parte do problema. Educação previne.
Por que não investir também em campanhas inteligentes de educação no trânsito, painéis informativos e sinalização preventiva que realmente chamem a atenção do motorista?
Multa pode ser necessária. Fiscalização também. Mas o bolso do cidadão não pode ser o instrumento preferencial para ensiná-lo a dirigir com segurança.
Então, governador Daniel Vilela, a pergunta que abriu esta carta também pode encerrá-la:
o senhor sabe o que está acontecendo na GO-060?
E, sabendo, concorda que continue assim?
Fiscalizar para salvar vidas é dever do Estado. Transformar a estrada em uma sucessão de surpresas para o motorista não pode ser política de governo.
