“Você vota em quem acredita ou contra quem rejeita?” é o tema do novo artigo de João Santana
Polarização transforma o medo do outro lado em combustível eleitoral e empurra o primeiro turno para a lógica do voto contra
16/09/2026, às 18h09
A política brasileira transformou eleição em confronto. Direita de um lado, esquerda do outro. Entre elas, um espaço cada vez mais apertado para quem não quer vestir nenhuma das duas camisas.
O marketing político entendeu a força dessa divisão. Não é preciso provar que seu candidato é o melhor. Basta fazer o eleitor acreditar que o outro é pior.
Essa é a maior força da polarização: não fazer você acreditar no seu lado, mas fazer você ter medo do outro.
E o medo pressiona. Exige lado, camisa, arquibancada. A política assume a lógica da torcida e o adversário deixa de ser apenas uma opção diferente. Torna-se alguém que precisa ser impedido.
Mas o Brasil tem dois turnos. O primeiro abre espaço para escolhas; o segundo concentra a decisão nos dois mais votados. A polarização antecipou essa lógica. O eleitor chega ao primeiro turno pensando menos em quem gostaria de eleger e mais em quem precisa derrotar.
E há uma consequência: quanto mais o voto nasce da rejeição, menos espaço sobra para alternativas.
Democracia é escolha livre. E escolha livre não combina com medo. Quando o medo de quem pode vencer pesa mais que a confiança em quem se quer eleger, o voto deixa de expressar esperança e se aproxima da coação.
João Santana é historiador, publicitário, bacharel em Direito e editor do Jornal O+Positivo
