Funcionária de supermercado é suspeita de desviar até R$ 1 milhão de caixa em Aparecida de Goiânia
Investigação já identificou cerca de R$ 500 mil em desvios, mas delegado afirma que valor total pode chegar a R$ 1 milhão; suspeita foi presa e liberada após audiência de custódia
14/08/2026, às 15h08
Uma funcionária de 22 anos de um supermercado é investigada pela suspeita de desviar cerca de R$ 500 mil do caixa da empresa, em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana de Goiânia. O delegado Henrique Berocan, responsável pelo caso, afirma que o valor total desviado pode chegar a R$ 1 milhão. A mulher foi presa na segunda-feira (10), mas acabou liberada após passar por audiência de custódia.
O nome da suspeita e do supermercado não foram divulgados. A defesa da mulher afirmou que as informações divulgadas sobre o caso não correspondem aos fatos e que todas as acusações serão contestadas pelos meios legais.
A investigação começou depois que o proprietário do estabelecimento percebeu um aumento de aproximadamente 20% nas divergências dos fechamentos de caixa. A polícia passou a analisar as movimentações e identificou imagens que mostram a funcionária retirando cédulas durante o fechamento, sem repassar os valores ao caixa.
No dia do flagrante, segundo a investigação, ela teria retirado R$ 1.428. A polícia também encontrou anotações que podem estar relacionadas ao esquema de retirada dos valores.
Segundo o delegado, o proprietário relatou que os desvios podem ter ocorrido durante cerca de dois anos. A suspeita trabalhava no supermercado havia mais de três anos e, conforme o relato do empresário à polícia, era considerada uma boa funcionária até apresentar uma mudança de comportamento.
No dia em que a diferença nos valores foi descoberta, a mulher teria apresentado versões diferentes para explicar o que havia acontecido. Em seguida, pediu demissão.
Patrimônio incompatível com salário
A investigação também apura a movimentação financeira e o patrimônio da suspeita. Ela recebia cerca de R$ 3 mil por mês, mas, segundo a polícia, apresentava gastos considerados incompatíveis com a renda.
Entre os bens adquiridos está um carro zero-quilômetro que, segundo o delegado, foi comprado para o namorado trabalhar.
A polícia também apura depósitos feitos pela mulher em uma conta bancária. De acordo com o delegado, ela chegou a mostrar a uma colega uma conta com aproximadamente R$ 60 mil.
“Ela chegou a mostrar a conta bancária dela aberta para uma das colegas de profissão mostrando que tinha cerca de R$ 60 mil na conta dela, sendo que ela recebe R$ 3 mil, coisas que não batem a renda dela com o patrimônio”, afirmou Henrique Berocan.
Para verificar a origem dos valores, a polícia solicitou a quebra do sigilo bancário da investigada.
O delegado também afirmou que o namorado poderá ser investigado caso fique comprovado que ele tinha conhecimento da origem ilícita do dinheiro.
“Se ele tinha consciência da fonte ilícita do dinheiro, ele também responde por receptação ou até mesmo lavagem de dinheiro”, disse.
Depósitos eram feitos com frequência
A polícia teve acesso a conversas entre funcionários de uma casa lotérica onde a investigada costumava fazer depósitos. Nas mensagens, os atendentes relatavam que já desconfiavam da movimentação da mulher, que frequentava o local diariamente para colocar dinheiro na própria conta bancária.
A investigação ainda tenta identificar todos os valores retirados do supermercado e determinar com precisão durante quanto tempo os desvios ocorreram. Por isso, o montante de R$ 1 milhão é tratado como uma estimativa e ainda precisa ser confirmado pelas diligências.
A suspeita pode responder por furto qualificado mediante fraude. Ela foi presa durante a investigação, mas liberada após audiência de custódia e responderá ao caso em liberdade.
