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quinta, 08 de Outubro de 2026

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Cidades

Artigo de João Santana: “ As urnas falaram. A Câmara ouviu?

Eleição mostrou aos vereadores que, quando o projeto político do prefeito está em jogo, a prioridade é ele. Depois das urnas, discursos e posições indicam uma mudança de postura na Câmara

08/10/2026, às 10h10

Durante muito tempo, a Câmara Municipal de Piranhas deu à população motivos para ser vista mais como uma extensão da Prefeitura do que como um Poder independente.

Projetos polêmicos encaminhados pelo Executivo encontraram apoio suficiente entre os vereadores. Em decisões importantes, quando a sociedade esperava fiscalização e posicionamento, prevaleceu a força da máquina e a vontade do prefeito encontrou pouca resistência no Legislativo.

Mas política tem uma característica que nenhum ocupante de mandato deveria esquecer: de tempos em tempos, a população é chamada a falar.

E falou nas urnas.

A eleição também deixou uma lição para os vereadores. O prefeito mostrou que, quando o seu projeto político está em jogo, a prioridade é ele. Não importou se outros candidatos tinham apoio de vereadores da própria base, se eram parceiros ou se haviam ajudado o município. Quando precisou escolher entre os interesses políticos dos vereadores que estiveram ao seu lado e os próprios, não houve dúvida: a máquina trabalhou para ele e enfrentou os demais.

Parece que a mensagem foi entendida.

Na sessão de segunda-feira, os discursos mostraram outro tom. Houve questionamentos, cobranças e posições mais firmes. As conversas dos últimos dias, inclusive envolvendo vereadores e o vice-prefeito, reforçam essa percepção.

Os primeiros sinais apontam para uma mudança de postura da Câmara diante do Executivo.

Se essa postura chegar às próximas decisões e votações, talvez a Câmara finalmente deixe de ser um puxadinho da Prefeitura.

E 2028 está logo ali.

Cada vereador terá a própria eleição para disputar. Quem pretende continuar na Câmara precisa entender desde agora que sua força terá de vir do eleitor, não da conveniência política de quem ocupa a Prefeitura.

A eleição de 2026 deixou dois recados claros: o prefeito mostrou qual é a sua prioridade e as urnas mostraram aos vereadores onde está a força capaz de sustentar um mandato.

Quem entendeu o recado tem dois anos para mostrar que seu mandato pertence ao eleitor, não à máquina. E que, quando chegar a hora de pedir novamente o voto, terá construído sua própria força para fazê-lo.

João Santana
Historiador, publicitário, bacharel em Direito e diretor do Jornal O+Positivo

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