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domingo, 25 de Outubro de 2026

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Brasil

“Zanin muda as regras durante a apuração e coloca eleição sob suspeita”, artigo por João Santana

Decisão monocrática do ministro do STF prorrogou a votação do segundo turno e levantou questionamentos sobre a segurança jurídica do processo eleitoral

25/10/2026, às 18h10

A democracia exige regras claras, estabilidade e respeito ao eleitor. Não se admite mudar as condições de uma eleição quando a votação já deveria estar encerrada e a apuração havia começado.

A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar até as 19 horas a votação do segundo turno de 2026 é desconcertante. Com todo o respeito que tenho pelo ministro, considero a medida deslocada, inoportuna e incompatível com a segurança jurídica do processo eleitoral.

Nem no futebol se admite mudar as regras aos 45 minutos do segundo tempo. Muito menos numa eleição presidencial, em que milhões de brasileiros confiam às urnas a escolha do futuro do país.

Quando a decisão foi anunciada, a apuração já havia começado. Segundo informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 0,25% das urnas já estavam apuradas e um dos candidatos aparecia à frente. Não importa quem liderava. Importa que a contagem dos votos já estava em andamento.

A pressa também impressiona. A petição foi protocolada no STF às 16h22 e, pouco depois, uma decisão monocrática de Zanin determinou a prorrogação nacional da votação, cabendo ao TSE cumprir a ordem. Um único ministro decidiu uma questão de repercussão nacional enquanto a Justiça Eleitoral conduzia o pleito. Que urgência justificou tamanha intervenção, sem deliberação colegiada, no encerramento da eleição?

Uma mudança dessa dimensão, anunciada durante a apuração, abre espaço para questionamentos. Não afirmo que houve fraude. Afirmo que a decisão compromete a confiança pública e lança suspeitas sobre a condução institucional da eleição, independentemente de quem vença.

O STF deveria ser guardião da segurança jurídica, não fonte de incertezas no momento mais sensível da democracia brasileira.

O resultado das urnas deve ser respeitado. Mas nenhuma autoridade, por maior que seja seu poder, deveria alterar as condições de uma eleição quando os votos já começaram a ser contados.

João Santana
Historiador, publicitário, bacharel em Direito e diretor do Jornal O+Positivo

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