Substância presente no alho pode potencializar ação de quimioterápico contra câncer colorretal, aponta estudo
Pesquisa brasileira identificou que composto encontrado no alho aumentou a eficácia de medicamento utilizado no tratamento do câncer em testes laboratoriais
17/06/2026, às 17h06

Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros apontou que uma substância presente no alho pode aumentar a eficácia de um dos principais medicamentos utilizados no tratamento do câncer colorretal. Os resultados foram obtidos em experimentos laboratoriais e indicam um potencial caminho para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas.
A pesquisa avaliou os efeitos do dissulfeto de dialila (DADS), composto organossulfurado encontrado naturalmente no alho, em combinação com o quimioterápico 5-fluorouracil (5-FU), medicamento amplamente empregado no combate ao câncer colorretal.
De acordo com os pesquisadores, a associação entre as duas substâncias promoveu maior destruição das células tumorais em comparação ao uso isolado do quimioterápico. Além disso, a combinação reduziu a capacidade de migração das células cancerígenas, característica relacionada à disseminação da doença para outras partes do organismo.
Os cientistas também observaram que o composto do alho pode contribuir para aumentar a sensibilidade das células tumorais ao tratamento, ajudando a superar mecanismos de resistência que frequentemente limitam a eficácia da quimioterapia.
Apesar dos resultados considerados promissores, os autores destacam que a pesquisa ainda está em fase inicial. Os testes foram realizados em laboratório e não envolvem pacientes. Por isso, ainda serão necessários estudos em animais e ensaios clínicos com seres humanos para confirmar a segurança e a eficácia da estratégia.
O câncer colorretal está entre os tipos mais comuns no mundo e figura entre as principais causas de morte por câncer. Segundo especialistas, a busca por substâncias capazes de potencializar tratamentos já existentes pode contribuir para aumentar as chances de sucesso terapêutico e reduzir os efeitos colaterais associados às altas doses de medicamentos.
Os pesquisadores ressaltam que os resultados não significam que o consumo de alho ou de suplementos à base da planta possa substituir ou melhorar tratamentos oncológicos sem acompanhamento médico. A recomendação é que pacientes sigam as orientações de suas equipes de saúde e não façam alterações no tratamento por conta própria.
