Polícia Civil investiga loteamentos irregulares em áreas protegidas às margens do Rio Araguaia
Áreas incluem ilhas e região de preservação permanente em Luiz Alves. Investigação aponta ocupações antigas, desmatamento, parcelamento irregular do solo e possíveis impactos ambientais
20/07/2026, às 08h07

A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), investiga três loteamentos instalados de forma irregular em áreas protegidas às margens do Rio Araguaia, no distrito de Luiz Alves. As investigações envolvem uma área de preservação permanente e pelo menos duas ilhas onde foram identificadas construções e parcelamentos do solo.
Em um dos empreendimentos investigados, a ocupação se estende por cerca de 15 hectares e reúne aproximadamente 164 lotes. Segundo a Dema, o caso é antigo: o responsável pelo loteamento já havia sido indiciado em 2011, quando ainda existiam poucas edificações no local. Apesar de decisões judiciais e da condenação do loteador, a ocupação continuou ao longo dos anos, com novas construções sendo erguidas.
De acordo com a investigação, além do parcelamento irregular do solo, são apurados crimes relacionados ao impedimento da regeneração natural da vegetação e aos danos causados à flora. A presença de imóveis na região também pode comprometer o solo, os recursos hídricos e favorecer o lançamento de resíduos no rio.
Durante as cheias do Araguaia, algumas dessas construções ficam submersas. Conforme a polícia, moradores chegaram a instalar estruturas elevadas para proteger fossas sépticas durante o período de inundação. A medida, no entanto, não elimina as irregularidades ambientais nem regulariza a ocupação da área.
A Dema também apura o descumprimento de embargo imposto pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Conforme o delegado Luziano Carvalho, o loteador foi condenado pela Justiça ao pagamento de indenização de R$ 140 mil, mas o empreendimento continuou sendo ampliado.
Além desse loteamento, outras duas áreas também estão sob investigação. Uma delas está localizada em uma ilha com aproximadamente 30 hectares e já possui diversas casas construídas. Imagens obtidas durante sobrevoos de helicóptero indicam que novas edificações continuam surgindo, mesmo diante das restrições ambientais existentes.
Segundo o delegado Luziano Carvalho, a Polícia Civil já ouviu o principal investigado e outros moradores da região. A corporação também solicitará à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) uma vistoria técnica no local. Conforme a investigação, os fatos podem configurar crime contra a administração pública, além de infrações ambientais relacionadas ao desmatamento.
