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sexta, 30 de Outubro de 2026

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“Flávio é perseguido, Lula é honesto e o Judiciário é imparcial. Só falta um psiquiatra”, novo artigo de João Santana

Entre perseguidos que fogem, santos de ficha controversa e ministros que nunca erram, o Brasil deixou escapar justamente o candidato que poderia compreender tamanha confusão

30/10/2026, às 10h10

Flávio Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos. Mas é vítima, claro! Perdeu a eleição e, de lá, proclamou-se presidente eleito, embora depois tenha mudado o título para líder do Brasil. O PL reconheceu a derrota, e seu coordenador de campanha admitiu não ter provas de fraude. Mas Flávio tem razão. Afinal, seria uma crueldade exigir que um candidato reconhecesse uma derrota apenas porque perdeu a eleição. Ainda bem que os Estados Unidos estavam por perto para receber mais um injustiçado. Donald Trump, certamente, não imaginava tamanha responsabilidade.

Lula é honesto. Honestíssimo! Ele garante, seus admiradores confirmam. Depois de tantas acusações, processos e condenações anuladas por vícios processuais, sem que essas decisões representassem absolvição de mérito, seria até uma injustiça continuar desconfiando. Se o próprio interessado assegura sua honestidade, quem somos nós para exigir explicações? No Brasil, a palavra de um político já deveria valer como certidão negativa.

Quanto ao Judiciário, a imparcialidade é tamanha que dispensa apresentações! Seus ministros não fazem política, apenas tomam decisões que, por coincidência, interferem profundamente nela. O ativismo judicial é coisa da imaginação dos críticos. As decisões monocráticas de enorme repercussão são demonstrações de eficiência. Afinal, para que incomodar onze ministros quando um só pode resolver o problema da República inteira?

No meio de tanta certeza, há quem acredite em tudo, com a melhor das intenções. Uns confiam na palavra de Lula, outros na versão de Flávio. E todos têm o direito de acreditar. O curioso é que, na política brasileira, a confiança parece funcionar como um cheque em branco: o eleitor assina, o político preenche e a conta chega depois.

E pensar que Augusto Cury, médico psiquiatra, também disputou a Presidência da República. Num país onde um se declara inocente, outro se proclama presidente e o Judiciário garante que não faz política, talvez ele não conseguisse resolver todos os problemas. Mas quem sabe pudesse tratar o caráter dos políticos, aliviar a cabeça dos eleitores e reduzir o ego dos ministros do Supremo.

João Santana

Historiador, publicitário, bacharel em Direito e diretor do Jornal O+Positivo.

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