Mergulho de cabeça em águas rasas é um dos principais riscos da temporada no Rio Araguaia, alerta ortopedista
Especialista alerta que mergulhos em locais de profundidade desconhecida podem causar lesões graves na coluna cervical, com risco de paralisia permanente e morte
07/07/2026, às 12h07

Com a temporada de praias no Rio Araguaia movimentando milhares de turistas, especialistas reforçam o alerta para um dos acidentes mais graves registrados nessa época do ano: o mergulho de cabeça em águas rasas. A prática, comum entre banhistas, pode provocar lesões graves na coluna cervical, com risco de paralisia permanente e até morte.

Segundo o ortopedista Murilo Daher, do Einstein Goiânia, o principal risco é o trauma raquimedular cervical. Nesse tipo de ocorrência, o impacto da cabeça contra o fundo do rio transmite força para as vértebras do pescoço, podendo causar fraturas, luxações, lesões na medula espinhal e traumatismos cranianos.
“O grande problema é que muitas pessoas acreditam que, por ser um rio conhecido ou por parecer um local tranquilo, o mergulho é seguro. Mas a profundidade pode mudar, principalmente em rios como o Araguaia, onde os bancos de areia se movimentam e o fundo pode apresentar pedras, troncos ou desníveis que não são visíveis. Um impacto de pouca altura já pode gerar uma força suficiente para causar uma lesão grave na coluna”, explica.
De acordo com o médico, as características naturais do Rio Araguaia tornam a prática ainda mais perigosa. A água turva, a movimentação constante dos bancos de areia e a presença de pedras, troncos e outros obstáculos submersos dificultam a identificação de áreas seguras para mergulho. O consumo de bebidas alcoólicas também aumenta o risco de acidentes ao comprometer os reflexos e a percepção do perigo.
A orientação é evitar mergulhos de cabeça em qualquer local cuja profundidade seja desconhecida. O mais seguro é entrar na água pelos pés, avaliando previamente as condições do fundo, além de seguir as orientações de moradores, guias e equipes de segurança. Crianças e adolescentes também merecem atenção especial, já que costumam subestimar os riscos.
Entre os sinais de alerta estão água escura ou turva, correnteza forte, ausência de sinalização e registros de acidentes anteriores. Nesses casos, a recomendação é não realizar mergulhos de cabeça.
Em caso de acidente, a vítima não deve ser movimentada. Segundo o ortopedista, qualquer deslocamento inadequado pode agravar uma eventual lesão na medula espinhal. O recomendado é manter cabeça, pescoço e tronco alinhados e acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192, ou o Corpo de Bombeiros, pelo 193.
Ainda conforme Murilo Daher, o atendimento rápido faz diferença no prognóstico do paciente.
“Em lesões de coluna, o tempo entre o acidente e o atendimento adequado pode influenciar diretamente as chances de recuperação. Ter uma equipe preparada para diagnosticar rapidamente e iniciar o tratamento indicado é fundamental para preservar funções neurológicas e melhorar a qualidade de vida do paciente”, afirma.
Com informações do Jornal Opção
