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Brasil

Empresários articulam no Senado para tentar frear fim da escala 6×1

Empresários e aliados do centrão tentam no Senado ampliar prazo de transição da redução da jornada de trabalho e adiar votação da proposta após as eleições

26/05/2026, às 10h05

Foto: Reprodução

Empresários e lideranças do centrão passaram a buscar apoio no Senado para tentar desacelerar a proposta que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas. O movimento ocorre após o presidente da Câmara, Hugo Motta, anunciar um acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para acelerar a implementação das mudanças.

A proposta prevê que a jornada semanal seja reduzida para 42 horas cerca de 60 dias após a promulgação da PEC. Depois de 14 meses, o limite cairia para 40 horas semanais. O texto também estabelece o fim da escala de seis dias consecutivos de trabalho para um de descanso dois meses após a aprovação definitiva.

A rapidez da transição surpreendeu empresários e parlamentares que defendiam um período maior de adaptação para as empresas, estimado em até quatro anos. A avaliação entre integrantes do centrão é de que dificilmente haverá espaço para alterar o texto na Câmara, principalmente devido à pressão popular e ao impacto eleitoral do tema.

Com isso, a estratégia passou a ser concentrada no Senado. Uma reunião entre o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, e empresários ligados à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo está prevista para esta terça-feira. O encontro foi articulado pelo presidente da entidade, Paulo Skaf, para discutir os impactos da proposta no setor produtivo.

Nos bastidores, empresários defendem que a discussão seja adiada para depois das eleições, argumentando que o ambiente eleitoral dificulta um debate mais técnico sobre os impactos econômicos da medida. Também há pressão para que o Senado escolha um relator que não dispute reeleição neste ano, reduzindo, segundo eles, a influência do cenário político sobre a tramitação.

Na Câmara, o relatório da PEC deve ser apresentado pelo deputado Leo Prates em comissão especial. A expectativa é de votação no colegiado ainda nesta semana e, em seguida, análise em plenário, onde o texto precisa do apoio mínimo de 308 deputados em dois turnos.

Lideranças partidárias relatam que tentativas de ampliar o prazo de transição ou excluir categorias específicas da mudança sofreram forte reação nas redes sociais. Após críticas, partidos como MDB, PSD, União Brasil, PP, Republicanos, PSDB e Cidadania divulgaram nota conjunta defendendo a rejeição das emendas.

No Senado, a proposta ainda precisará passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida por Otto Alencar, antes de seguir para votação em plenário. Para aprovação, serão necessários ao menos 49 votos favoráveis em dois turnos.

Caso o Senado altere o texto aprovado pela Câmara, a proposta poderá retornar para nova análise dos deputados. Pela Constituição, apenas os trechos aprovados de forma idêntica pelas duas Casas podem ser promulgados.

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