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Manchete

Opinião: Atenção, Arenópolis: Quando os poderosos tentam calar a imprensa

O caso revelado no cenário nacional expõe um método antigo que também se repete nos bastidores de muitas cidades do interior

04/03/2026, às 15h03

João Santana

A decisão judicial que determinou a prisão do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, trouxe à tona uma acusação grave: a suspeita de que se tenha tentado montar um cenário de assalto para prejudicar o jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo. Segundo a decisão mencionada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, o objetivo seria intimidar e silenciar uma voz da imprensa que vinha publicando informações incômodas.

Quando um figurão teme o que pode ser revelado, muitas vezes a primeira reação não é explicar os fatos. É tentar calar quem investiga.

O episódio ajuda a expor um mecanismo antigo de pressão contra jornalistas. E ele não acontece apenas nos grandes centros do país.

Em muitos municípios do interior, onde o poder político costuma ser mais concentrado e os bastidores da administração pública são pouco fiscalizados, o roteiro costuma ser parecido. Figurões da política local tentam intimidar jornalistas e veículos de comunicação para evitar que determinadas informações venham a público.

Primeiro surgem as tentativas de descredibilização. Depois aparecem denúncias vazias, boatos plantados, ataques pessoais e ameaças de processos judiciais. O objetivo quase sempre é o mesmo: criar desgaste, medo e silêncio.

No fundo, o que incomoda não é a reportagem. O que incomoda é a possibilidade de que os bastidores da administração pública, muitas vezes protegidos pelo silêncio, sejam expostos à sociedade.

É justamente nesse ponto que se revela a importância de uma imprensa independente.

O Jornal O+Positivo atua há mais de duas décadas com esse compromisso. Ao longo de mais de 20 anos, o veículo construiu sua trajetória com independência editorial, realizando denúncias, investigações, divulgação de informações relevantes e enfrentando o poder sempre que necessário.

Não se trata de oposição a governos ou de disputa pessoal com autoridades. Trata-se de cumprir o papel fundamental do jornalismo: informar a sociedade, fiscalizar o poder e garantir que a população tenha acesso àquilo que acontece nos bastidores da gestão pública.

A liberdade de imprensa não é um privilégio do jornalista. É uma garantia da sociedade.

Toda vez que alguém tenta calar um jornalista, na verdade está tentando impedir que a população saiba a verdade.

João Santana é historiador, publicitário, bacharel em Direito e editor do Jornal O+Positivo

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