“Não se conquista a maioria desprezando quem pensa diferente”, novo artigo de João Santana
Hostilizar eleitores, discriminar trabalhadores e boicotar comerciantes por suas escolhas políticas aprofunda a polarização e afasta os votos necessários para vencer uma eleição
27/10/2026, às 13h10
As eleições de 2026 terminaram, mas a polarização política continua. Mais uma vez, parte da oposição parece não compreender uma regra fundamental da democracia: eleição não se ganha atacando eleitores, mas conquistando sua confiança.
É legítimo combater governos, denunciar irregularidades, questionar práticas administrativas e apontar suspeitas de corrupção. O erro começa quando os ataques deixam de atingir os governantes e passam a atingir quem vota neles. Chamar esses eleitores de ladrões ou corruptos não os convence a mudar de opinião. Apenas os afasta.
A hostilidade chega a alcançar regiões inteiras do país, criticadas por suas escolhas eleitorais. Mais grave ainda é quando a intolerância ultrapassa o debate político e invade as relações econômicas e sociais, com relatos de discriminação profissional, ameaças de demissão e boicotes a estabelecimentos comerciais por causa das preferências políticas de seus proprietários.
Esse comportamento não resolve a polarização. Alimenta ressentimentos, aprofunda divisões e pode produzir um efeito contrário ao pretendido, fortalecendo justamente aqueles que se deseja derrotar.
Uma eleição majoritária exige a capacidade de reunir pensamentos divergentes. Não significa renunciar a princípios, tolerar a corrupção ou deixar de combater os erros de quem governa. Significa compreender que o eleitor adversário precisa ser respeitado, ouvido e acolhido.
É preciso combater o sistema que governa, não os cidadãos que votam nele.
Enquanto a política insistir em transformar divergentes em inimigos, continuará produzindo derrotas, ressentimentos e uma sociedade cada vez mais dividida.
Afinal, quem pretende conquistar a maioria não pode desprezar aqueles de quem precisa para vencer. Não se conquista o voto de quem se humilha, nem se constrói uma vitória sobre o desprezo. Quem transforma eleitores em inimigos acaba fazendo campanha para o próprio adversário.
Historiador, publicitário, bacharel em Direito e diretor do Jornal O+Positivo
