Justiça condena pai e mãe por abusos contra a própria filha em Campos Verdes, distrito de Arenópolis
Homem recebeu pena de 64 anos e 2 meses de prisão; mulher foi condenada a 46 anos e 8 meses por omissão. Decisão ainda pode ser contestada por meio de recurso
03/08/2026, às 13h08

A Vara Criminal da Comarca de Piranhas condenou um homem e uma mulher pelos crimes sexuais praticados contra a própria filha em Campos Verdes, distrito de Arenópolis. O pai foi condenado a 64 anos e 2 meses de reclusão, enquanto a mãe recebeu pena de 46 anos e 8 meses. Ambos deverão cumprir a pena inicialmente em regime fechado, embora ainda possam recorrer da decisão.
De acordo com a sentença, os abusos tiveram início quando a vítima ainda era criança e se estenderam até março de 2025. Em razão da idade da jovem ao longo desse período, o pai foi responsabilizado pelos crimes de estupro de vulnerável, estupro qualificado e estupro. Conforme o processo, a vítima relatou ter sido ameaçada e agredida sempre que tentava resistir ou denunciar as violências.
A mãe foi condenada por estupro de vulnerável por omissão e estupro qualificado por omissão. A Justiça entendeu que ela tinha o dever legal de proteger a filha, mas deixou de impedir os abusos e de comunicar os fatos às autoridades. A sentença também aponta que a mulher teria orientado a vítima a permanecer em silêncio.
Os primeiros relatos surgiram quando a vítima tinha 11 anos. Após uma atividade escolar sobre prevenção ao abuso sexual, a direção da escola acionou o Conselho Tutelar. Na ocasião, porém, a criança negou os abusos. Durante o processo, a jovem explicou que voltou atrás por medo e pela pressão sofrida dentro do ambiente familiar.
Na sentença, a magistrada observou que a retratação é comum em vítimas de violência sexual infantil, especialmente diante do medo, da dependência emocional e da influência exercida por familiares.
Além do depoimento da vítima, a condenação foi fundamentada em testemunhos, relatórios psicossociais e demais provas reunidas durante a investigação, que apontaram traumas compatíveis com os fatos narrados.
A investigação ganhou novo rumo em março de 2025, quando a vítima, já maior de idade, revelou os abusos ao namorado. A informação foi comunicada às autoridades e deu origem ao trabalho investigativo da Delegacia de Polícia de Piranhas, que resultou na prisão do pai.
A sentença também determinou o pagamento de R$ 15 mil por danos morais por cada um dos condenados, totalizando R$ 30 mil de indenização à vítima.
Apesar da condenação, a Justiça autorizou que os réus recorram em liberdade, mantendo as medidas cautelares impostas durante o processo.
