Goiás registra aumento de acidentes com serpentes e reforça alerta sobre primeiros socorros
Somente em 2026, hospital de referência já atendeu 170 vítimas de picadas de cobra; estado contabiliza quatro mortes
28/04/2026, às 15h04
A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) reforçou o alerta à população sobre os riscos de acidentes com serpentes e a importância de adotar os primeiros socorros corretos. Apenas neste ano, o Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT) já atendeu 170 pessoas vítimas de picadas de cobra.
De acordo com dados da unidade, dos 542 atendimentos realizados em 2026 por acidentes com animais peçonhentos, 170 envolveram serpentes. A maioria dos casos foi causada por jararacas (122 ocorrências), seguida por cascavéis (26) e cobras não peçonhentas (17).
Em todo o estado, a situação também preocupa. Entre janeiro e abril, foram registradas 584 ocorrências de acidentes com serpentes, com quatro mortes confirmadas no período, segundo monitoramento da SES.
Em casos de emergência, a orientação é buscar atendimento médico imediato. Além disso, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Goiás (Ciatox-GO) oferece suporte 24 horas pelos telefones 0800 646 4350 e 0800 722 6001, auxiliando tanto a população quanto profissionais de saúde.
A diretora técnica do HDT, a infectologista Thaís Safatle, destaca que ainda há muita desinformação sobre como agir após uma picada. “Não se deve comprimir o local nem tentar sugar o veneno. O correto é lavar com água e sabão e procurar atendimento médico o mais rápido possível”, orienta.
Segundo a especialista, o tempo entre o acidente e o atendimento é decisivo para a recuperação. A aplicação do soro antiveneno, quando indicada, reduz complicações e pode evitar mortes.
O primeiro atendimento pode ser feito em qualquer unidade de saúde, que fará os procedimentos iniciais e, se necessário, encaminhará o paciente para hospitais de referência, como o HDT.
Em Goiás, os acidentes mais comuns envolvem jararacas e cascavéis, que provocam sintomas diferentes. Picadas de jararaca costumam causar dor intensa, inchaço e sangramentos. Já o veneno da cascavel pode afetar o sistema neurológico, provocando visão turva, queda das pálpebras e até dificuldade para respirar.
Um dos casos recentes é o do autônomo Ramon dos Santos Nascimento, morador de Goiânia, que está internado há 15 dias após ser picado por uma jararaca durante uma pescaria.
“Eu acho que pisei na cobra. Ela mordeu e ficou presa no meu pé por um tempo”, contou. Logo após o acidente, ele sentiu dor intensa, queimação e cansaço. Após receber o soro, segue em recuperação, mas relata o impacto emocional. “Dá muito medo, fica o trauma”, disse.
Outro caso que chamou atenção ocorreu em Anápolis, onde um jovem de 27 anos morreu após ser picado por uma cascavel enquanto trabalhava em uma chácara.
Para evitar acidentes, a recomendação é utilizar botas de cano alto ou perneiras de couro em áreas de risco, como locais com vegetação densa ou entulhos. Também é importante não colocar as mãos em buracos, troncos ou espaços sem visibilidade.
