Estudo aponta que gatos domésticos podem ajudar no avanço de tratamentos contra o câncer
Pesquisa internacional identificou semelhanças genéticas entre tumores felinos e humanos, abrindo novas possibilidades na medicina
04/03/2026, às 08h03
Um estudo publicado na revista científica Science revelou que gatos domésticos podem contribuir significativamente para o avanço no desenvolvimento de novos tratamentos contra o câncer.
A pesquisa analisou quase 500 felinos de estimação em cinco países e identificou alterações genéticas responsáveis pelo surgimento de tumores. Muitas dessas mutações são semelhantes às observadas em humanos, o que reforça a proximidade biológica entre as duas espécies quando o assunto é a progressão da doença.
Os cientistas mapearam cerca de mil genes associados a 13 tipos diferentes de câncer felino. Segundo o estudo, diversos genes que impulsionam tumores em gatos também desempenham papel semelhante no desenvolvimento e na disseminação do câncer em humanos.
Entre os principais achados estão os carcinomas mamários, um tipo comum e agressivo de câncer em gatos. Os pesquisadores identificaram sete genes considerados condutores da doença que, após sofrerem mutações, desencadeiam o desenvolvimento do tumor.
A descoberta fortalece o conceito da chamada medicina comparativa, que analisa doenças em diferentes espécies para ampliar o conhecimento científico e acelerar a criação de terapias mais eficazes. Como os gatos compartilham o ambiente doméstico com humanos e desenvolvem tumores de forma espontânea, eles podem oferecer dados importantes para pesquisas futuras.
Especialistas destacam que os resultados não significam que os animais serão utilizados de forma prejudicial, mas sim que o entendimento das alterações genéticas naturais nos felinos pode auxiliar no desenvolvimento de medicamentos mais direcionados e personalizados para o tratamento do câncer.
