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Editorial: Quem fiscaliza o sistema quando ele se corrompe para proteger os seus?

Do STF às câmaras do interior, cresce o silêncio das instituições enquanto a imprensa tenta manter a luz acesa

09/03/2026, às 09h03

Imagem: Ilustrativa IA

Há um princípio básico que sustenta qualquer democracia: o poder precisa ser fiscalizado. Instituições existem para garantir equilíbrio, transparência e responsabilização. Quando cumprem esse papel, o sistema se fortalece. Quando deixam de fazê-lo, abre-se espaço para o corporativismo institucional.

Nos últimos tempos, cresce no país a sensação de que parte das instituições perdeu firmeza quando o assunto envolve os próprios membros do sistema. Episódios envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal e articulações no Congresso Nacional do Brasil ampliaram essa percepção. Em vez de respostas rápidas e transparentes, muitas vezes o que se vê é cautela excessiva, relativização e silêncio institucional.

Esse comportamento não fica restrito a Brasília. Ele também aparece nas câmaras municipais do interior.

Em Piranhas, por exemplo, vereadores reconhecem falhas e inconsistências na gestão da Câmara Municipal durante o período em que a presidência esteve nas mãos do vereador Irmão Silas. O assunto já foi tratado em reportagens do Jornal O+Positivo. As críticas existem, as conversas acontecem, mas a medida institucional que deveria existir simplesmente não aparece: a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito.

Vereadores falam em conversas reservadas, comentam erros e reconhecem problemas. Mas, quando chega a hora de transformar essas falas em ato institucional, o silêncio prevalece.

Se há dúvida sobre gestão administrativa, investiga-se.
Se há indício de irregularidade, abre-se uma CPI.
Se há erro na condução da coisa pública, corrige-se com transparência.

Instituição que não investiga perde autoridade moral para fiscalizar qualquer outro poder.

Em Arenópolis, a situação é ainda mais reveladora. Parlamentares relatam falhas na administração do prefeito Delmiro, criticam decisões e apontam problemas na condução da gestão municipal. Mas essas críticas aparecem sempre da mesma forma: em conversas reservadas, fora do plenário e, principalmente, sem nomes.

Quando falam, pedem anonimato.

Assim, o que deveria ser fiscalização vira comentário de bastidor. O que deveria ser denúncia institucional vira murmúrio político.

A autoproteção exagerada destrói o sistema por dentro. Quando instituições criadas para proteger a sociedade passam a proteger apenas a si mesmas, iniciam o processo de sua própria degradação.

Enquanto parte do sistema hesita, a imprensa continua fazendo seu trabalho. A imprensa nacional tem revelado fatos, exposto contradições e colocado temas na agenda pública. No interior, essa função também precisa existir.

É nesse espaço que o Jornal O+Positivo atua há mais de duas décadas: iluminando fatos que pertencem ao interesse público.

Investigar não enfraquece instituições. O que enfraquece instituições é o silêncio.

Se vereadores acreditam que houve problemas na gestão de uma Câmara Municipal, investiguem.
Se parlamentares apontam falhas administrativas em uma prefeitura, formalizem a fiscalização.

Mandato não foi criado para comentários reservados. Foi criado para agir.

No final, a pergunta permanece simples e direta: se as instituições criadas para fiscalizar deixam de agir, quem fiscaliza o sistema?

Em qualquer democracia saudável, a resposta começa sempre do mesmo lugar: transparência, investigação e coragem institucional.

Quando o sistema deixa de se fiscalizar, a sociedade passa a pagar o preço do silêncio.

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