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Butantan cria pomada inovadora para cicatrização a partir de fungo da Caatinga

O composto tem origem em um fungo encontrado no bioma da Caatinga, conhecido por sua biodiversidade ainda pouco explorada do ponto de vista farmacológico

02/03/2026, às 08h03

Foto: Reprodução/IA

Pesquisadoras do Instituto Butantan desenvolveram uma pomada com elevado potencial para auxiliar a recuperação de feridas na pele de forma mais eficiente e esteticamente mais favorável, reduzindo a formação de cicatrizes visíveis e queloides. O composto tem origem em um fungo encontrado no bioma da Caatinga, conhecido por sua biodiversidade ainda pouco explorada do ponto de vista farmacológico.

O trabalho científico está sendo realizado no Laboratório de Desenvolvimento e Inovação (LDI) do instituto, em parceria com a startup BiotechnoScience Farmacêutica. Testes preliminares indicam que a aplicação tópica do produto estimula a produção uniforme de colágeno, proteína essencial no reparo tecidual, e acelera o processo natural de cicatrização, com resultados superiores aos de pomadas comuns disponíveis hoje no mercado.

Da descoberta ao desenvolvimento

O ponto de partida da pesquisa foi o isolamento do fungo no ano de 2010 a partir de amostras coletadas na Caatinga. Inicialmente, os cientistas estudavam possíveis propriedades antibióticas e antitumorais da molécula produzida pelo micro-organismo. Durante as análises, observaram também o potencial da substância para promover a regeneração celular — um fator chave para a reparação de feridas.

Ensaios com células humanas, incluindo fibroblastos e células endoteliais, comprovaram a capacidade da substância de estimular mecanismos de recuperação da pele, o que levou o Instituto Butantan a solicitar o registro de patente da formulação em 2018, com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Caminho para o mercado

Após a concessão da patente, o projeto passou a ser desenvolvido sob um modelo de inovação aberta, no qual a startup parceira assume as etapas finais de aperfeiçoamento e o processo de regulamentação junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O contrato prevê que, uma vez lançado no mercado, o produto gere royalties para o Butantan.

Especialistas veem a iniciativa como um exemplo do valor científico e tecnológico que a biodiversidade brasileira pode oferecer à medicina, além de ressaltar a importância do investimento público em pesquisa e desenvolvimento no país.

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