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Cidades

Vereadores denunciam uso da máquina e pressão durante campanha eleitoral em Piranhas

Durante sessão da Câmara, parlamentares falaram em “máquina do Executivo”, pressão sobre eleitores, poder econômico, megacarreata, distribuição de benefícios e campanha “suja”

06/10/2026, às 11h10

A campanha eleitoral de 2026 em Piranhas foi assunto na Câmara Municipal durante a sessão desta segunda-feira (5). Vereadores denunciaram pressão sobre eleitores, uso da estrutura do Executivo, poder econômico e ações que, segundo os parlamentares, dificultaram o trabalho de grupos que apoiavam candidatos diferentes dos escolhidos pelo prefeito Fábio Lasserre.

Sebastião Neto afirmou que os parlamentares foram “sufocados pela máquina do Executivo”. Segundo ele, eleitores demonstravam receio em apoiar outros candidatos.

“Até parecia que os nossos candidatos a deputados estaduais e federais eram inimigos deste município”, afirmou.

Gerlan Enfermeiro também usou a expressão máquina ao falar da campanha. “Foi sufocante, não sobrou nem as penugens pra nós. A máquina é poderosa”, declarou.

Carmino Leite Ferreira disse nunca ter presenciado, em mais de 40 anos acompanhando política, uma campanha como a deste ano em Piranhas. Ele relatou grande quantidade de cabos eleitorais acompanhando o trabalho de outros grupos, retirada de adesivos de apoiadores e classificou a estrutura mobilizada como um “aparato enorme”.

Carmino também citou uma grande mobilização política que reuniu carros, carro de boi, cavaleiros e centenas de animais. O vereador lembrou ainda o aporte de R$ 50 mil feito pela Câmara Municipal para a realização da pecuária.

A utilização política da festa já havia sido denunciada pelo Jornal O+Positivo durante a Expoapi 2026. O evento, realizado com mais de R$ 1 milhão em recursos públicos, teve episódios de campanha registrados pelo Jornal, entre eles propaganda eleitoral durante a cavalgada. Na ocasião, o O+Positivo mostrou o trio elétrico adesivado com propaganda eleitoral, além da presença do prefeito e de candidatos apoiados por ele durante o desfile.

O vereador Nito afirmou que “a pressão era grande” e classificou a disputa como uma “campanha bastante suja”.

Silas endossou as reclamações apresentadas por Carmino. “Faço das suas palavras as minhas”, declarou.

Wesley Faustino destacou a importância dos diferentes deputados estaduais e federais que destinam recursos para Piranhas e estimou entre R$ 18 milhões e R$ 20 milhões o volume de emendas conseguido para o município nos últimos anos.

Ao citar Lêda Borges, Wesley afirmou que a deputada teve um trabalho “gigantesco” em Piranhas e disse que, mesmo não tendo apoiado sua candidatura na reta final, era necessário reconhecer sua contribuição. “Foi quem mais investiu aqui no município de Piranhas. […] Nós devíamos honrar quem veste a camisa da nossa cidade”, declarou.

Claudimir Apolinário (Coró do Rancho) afirmou ter recebido relatos de pessoas que teriam recebido R$ 300 para colocar seus veículos em uma “megacarreata”. Também relatou pressão sobre eleitores, oferta de dinheiro e distribuição de caminhões de terra nos últimos dias da campanha.

“Trabalhar contra a máquina pública não é fácil”, afirmou Coró do Rancho.

Coró também questionou a destinação das cestas básicas arrecadadas durante a pecuária. Segundo ele, durante a campanha encontrou moradores recebendo cestas na zona rural. O vereador relatou ainda caminhões de terra circulando pela cidade nos últimos dias da eleição.

Fernando Lizardo afirmou que “o sistema sufocou esta Casa”. Segundo o vereador, houve uma “proporção desproporcional de recurso” e caminhadas eleitorais com churrasco e cerveja.

Para Fernando, a eleição foi “atípica” e “o poder econômico comandou”.

Fernando também questionou a utilização das cestas arrecadadas durante a pecuária e falou sobre a demora na tramitação de emendas destinadas ao município por parlamentar apoiado por seu grupo. Segundo ele, uma liberação anterior poderia ter aumentado a votação do candidato.

As manifestações feitas na Câmara reuniram ainda relatos de pressão sobre eleitores, oferta de dinheiro, envio de material eleitoral a vereadores que trabalhavam para outros candidatos e distribuição de benefícios durante o período eleitoral.

Parte dos episódios levados agora à tribuna já havia sido registrada pelo Jornal O+Positivo durante a própria campanha, especialmente a utilização política da Expoapi, evento financiado com recursos públicos.

O Jornal O+Positivo mantém o espaço aberto ao prefeito Fábio Lasserre, à Prefeitura de Piranhas e aos demais citados para manifestação.

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