Estado de penúria
Em entrevista exclusiva com o prefeito da cidade de Palestina, Eduardo Talvani, já foi possível perceber que os desafios serão muitos até colocar a administração do município nos eixos. Uma dívida mensal de R$ 65 mil com o INSS, parcelamentos feitos por gestões anteriores, é um dos principais problemas que impedem que investimentos necessários sejam feitos na cidade. Entre eles, o término da construção de casas populares, iniciada no final da administração anterior. Segundo o prefeito, os moradores terão que finalizar essas obras. “Não temos condições de concluir as casas porque não encontrei recursos nos cofres públicos da prefeitura destinados a isso”. Abaixo, o prefeito dá maiores detalhes dos problemas que encontrou e das ações que já deu início.
O+Positivo: Em que situação o senhor recebeu a prefeitura de Palestina no dia 1º de janeiro de 2009?
Talvani: Por incrível que pareça, recebi em uma situação de penúria. Todos imaginavam que a Prefeitura de Palestina estava às mil maravilhas, mas não tive a oportunidade fazer a transição. Recebi a prefeitura com quase R$ 2 milhões (R$ 1.980.000,00) de dívida para com o INSS referente ao não recolhimento dos contratos de prestadores de serviço. Essa dívida foi parcelada em apenas 60 meses, nos últimos dias da administração, e estão onerando os cofres dos municípios em mais de R$ 33 mil por mês, valor este que já vem descontando do Fundo de Participação dos Municípios (valor que toda prefeitura recebe mensalmente para administrar o município). Além desse repasse, dessa cobrança, já existia um parcelamento das administrações anteriores, que também atinge o montante de mais de R$ 30 mil por mês. Somando os dois parcelamentos das administrações anteriores e o da ultima administração nós estamos com uma obrigação de R$ 67 mil por mês de débitos com o INSS em atraso.
O+Positivo: Qual o balanço o senhor faz das secretarias de saúde, administração, educação e esporte?
Talvani: Da Secretaria de Transporte recebi alguns veículos novos, outros bem estragados. Das quatro vans do município, duas estão com os motores fundidos. Dos três microônibus, dois estão com os motores fundidos. Dos dois tratores que fazem o trabalho da cidade, um está com o motor fundido. Recebi duas patrolas paradas, dois caminhões e a pá carregadeira funcionando e um trator novo. Das quatro kombis que ajudam no transporte escolar, duas estão estragadas, fiz a recuperação que pude e arrumei dois motores. Agora, as condições financeiras do município não permitem arrumar os dois. Não sei nem o que fazer, estamos pensando em vender, porque fica muito caro o conserto e o custo-beneficio não compensa.
O+Positivo: E as casas que estavam sendo construídas e ficaram sem finalizar no final da gestão anterior? O que será feito por essa administração?
Talvani: As casas foram entregues inacabadas, sem estrutura alguma, sem água, sem asfalto, energia, apenas com as paredes levantadas e cobertas. Sem portas, sem janelas, sem nada. Entrei em contato com a Agência Goiana de Habitação (Agehab) e me disseram que os contatos que existiam com o município foram cumpridos, correspondentes à etapa A e a etapa B. Agora cabe ao município concluir a obra. Fui claro, não temos condições de concluir essa obra porque não encontrei recursos nos cofres públicos da prefeitura destinados à construção dessas casas. Não temos como concluir, os beneficiários terão que concluir.
O+Positivo: Qual foi a primeira ação da sua administração em Palestina e quais serão as próximas?
Talvani: A primeira ação foi limpar a cidade porque o mato estava tomando conta das nossas ruas e avenidas, dos logradouros públicos em geral, do cemitério. Entrei com a frente de aproximadamente 30 homens, fizemos toda a limpeza urbana, agora estamos partindo para recuperar as estradas da zona rural, onde transitam as vans do transporte escolar e os caminhões de leite. Recuperei a parte da ponte que cabia a Palestina, Ponte do Rio Bonito, que fazia oito anos que nossa parte estava em estado precário. Recuperamos outras três pontes do município que estavam caindo e de dois bueiros. Estou fazendo gestão junto ao governo do estado, assinei um convênio com a Secretaria da Fazenda para instalar a Agenfa, e estou recuperando um prédio para instalar a sede desse órgão, da Agencia Rural e do Posto do Detran no mesmo local. Devo terminar a obra em uma semana. Também estou firmando convênio com a Polícia Militar para dar todo suporte para a Polícia Civil, com a instalação, em Palestina, da Subdelegacia de Polícia, porque poderemos contar então com a presença do delegado e no restante dos dias, um funcionário cedido pela prefeitura estará cumprindo toda sua parte no que diz respeito à lavratura de boletins de ocorrência. Todas as circunstâncias de ocorrência serão transferidas para a Polícia Civil.
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